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Quando a dor chega,
quase sempre surge também
a urgência de mudá-la.

Entender.
Corrigir.
Melhorar.
Fazer alguma coisa com
o que está aqui.

E, muitas vezes, a transformação
começa justamente quando
cessamos essa busca incessante
por respostas.

Respirar.
Abrir espaço.
Dar um lugar ao que está aqui.

Silenciar o suficiente para sentir a emoção sem imediatamente tentar modificá-la.

Há lágrimas que só buscam pelo rio.
Há raivas e ressentimentos que só precisam de um pôr do sol.
Há medos e tensões que apenas aguardam o frescor de uma nova manhã.

Não fuja.
Respire dentro da experiência.
Permita.
Observe.

Soltar os punhos
e o maxilar.

Parar de lutar.

Respirar.

Ser espaço.
Ofertar a sua presença àquilo que se apresenta.
E notar que, nesse espaço sem bordas, algo naturalmente começa a se reorganizar.

As emoções vêm.
Passam.
Mudam de forma.

E quando não nos agarramos a elas, deixamos de investir tanta energia em narrativas.

Só assim, algo mais silencioso pode ser percebido...

Uma presença aberta, viva, consciente, que testemunha tudo sem resistência.

Não distante da experiência,
íntima dela.

Então, o choro encontra passagem.

O corpo relaxa.

A dor respira.

E aquilo que parecia sólido
volta a fluir.

Ser espaço é reconhecer-se não apenas como a onda que se move — mas também como o oceano que a contém.

Toda experiência é uma passagem.

Veja essa impermanência e reconheça que

isso que vê não passa.

Sathya Ma