Presença

a person standing on top of a grass covered hill

Oi, sou Sathya Ma.

Nasci com uma sensibilidade que, na infância, eu não sabia muito bem como sustentar.

Havia angústias que eu testemunhava dentro e fora de mim — e que não encontravam lugar.

Cresci e, de alguma forma, essa sensibilidade pôde ser escoada e zelada através do pragmatismo que Deus também me deu. Canalizei tudo nesse fio. Em 2003 iniciei a formação em Psicologia, e logo entrei no mundo corporativo, onde pude tecer uma carreira sólida na área de recursos humanos. Por onze anos, aprendi muito sobre pessoas, sobre estruturas e processos, e sobre o que realmente nos move e nos ilude.

Aos trinta anos, com muitas das minhas ambições alcançadas, percebi que o que estava crescendo dentro de mim não cabia mais naquele espaço. Não era insatisfação — era uma clareza.

Um olhar mais profundo pedindo passagem.

Pedi demissão em 2014, e dei o primeiro passo numa direção que ainda não tinha nome. Comecei a atender como psicóloga clínica e a conduzir trabalhos em grupo.

Em 2015, nasceu a Spontaneum. Mais do que uma escola, ela foi um jardim de palavras e caminhos — um espaço vivo onde tudo que vinha sendo gestado pôde ganhar forma. As formações em Psicologia, Gestalt-terapia, Eneagrama, Constelações Sistêmicas, e os diversos campos terapêuticos que eu pude mergulhar, encontraram ali um lugar para respirar. Através da Spontaneum, eu aprendi a criar com beleza, empreender com alma, e dar vazão a um impulso de compartilhar que sempre esteve presente.

Em 2017, nasceu o Movimento do Amor — livro e curso online — como fruto das experiências de cura que vivi e testemunhei, nos campos sistêmicos e no reencontro com a criança interior.

Em 2018, fui à Índia. Nesse mesmo ano, o encontro com a Ayahuasca se aprofundou de uma forma que eu não esperava. As duas experiências chegaram juntas — e algo se abriu sem possibilidade de retorno.

Os ensinamentos de Advaita Vedanta foram revelando a luz da Verdade. Fui compreendendo que o autoconhecimento não se limitava à psique — não era apenas sobre padrões, histórias e feridas. É sobre o reconhecimento de algo anterior a tudo isso — a consciência sem forma, sem nome, imutável e sempre presente.

O profundo existir.

O trabalho com a psique permaneceu — mas deixou de ser destino e passou a ser caminho.

Nos anos que se seguiram, o chamado de consagrar as medicinas da floresta foi abrindo trilhas mais profundas. Fui recebendo orientações — da vida, do mistério. Amazônia, Acre e Peru me receberam, e nestes solos pude fazer dietas dentro das tradições Yawanawá e Shipibo, e também peregrinar por apus andinos e vales sagrados.

Cada mergulho, uma dissolução. Cada dissolução, uma abertura.

O deleite dos ensinamentos à luz de Vedanta e Dzogchen também seguiram tecendo caminhos para a mesma vastidão sem nome.

Recentemente, o Caminho Vermelho e as cosmovisões de povos originários das Américas também me alcançou. Chegou como uma forma muito bela de caminhar a vida como ser humano — me ensinando sobre a força da nossa coerência, sobre zelar e caminhar as nossas palavras, e sustentar os nossos rezos. Tenho subido montanhas para receber visões, e dançado para a avó lua em profunda oração pelo feminino da humanidade e do planeta. Este Camino Rojo vem me recordando de algo que me toca desde criança: a beleza de ser íntegra, e de caminhar sob o chão do mundo podendo deixar nele boas sementes.

Nos últimos anos, estive mais recolhida. Não como uma pausa, mas como um mergulho. Um tempo inevitável de aprofundamento e deleite nos ensinamentos que a natureza, o silêncio e o bem-viver estão sempre a nos mostrar. Tempo também de sustentação de campos através da Orchestra do Silêncio — vivendo em comunidade, cuidando do invisível com presença e constância.

E foi nesse silêncio que o nome se revelou — ou talvez, que eu tenha finalmente me permitido reconhecê-lo.

Sathya Ma
Sathya Ma

Assumir esse nome "Sathya Ma" não foi uma conquista foi uma rendição.

Após esses anos de silêncio, o que se move agora não vem de uma intenção pessoal mas de uma disponibilidade. Um atravessamento da própria vida, que encontra agora menos resistência e mais espaço para se expressar.

Não se trata de conduzir algo. Trata-se de estar a serviço.

Caminhar nesta terra como ser humano é, ao mesmo tempo, desafiador e de uma beleza estonteante. E é no encontro entre o mistério e a vida concreta que esses campos acontecem espaços onde o que não tem nome pode ser sentido, onde a vida pode, por um instante, reconhecer a si mesma.

Compartilho essa história não como currículo, mas como sopros da vida. Sopros, atravessamentos e travessias que o próprio mistério foi me ensinando a tecer.

Depois de anos de recolhimento e profundidades, sinto que é hora. Tempo de voltar a expressar. De sustentar espaços para que o invisível se torne íntimo. Testemunho este novo sopro da vida com deleite de ver o fruto que amadureceu no escuro da semente.

Não é um "estou de volta", mas um "estou aqui".

Agradecida por estes campos tecidos de mistério, e pronta para compartilhar com todo amor que me guiou durante este tempo.

Inteira. Descalça. Viva.

Com amor,

Sathya Ma