

Onde há luz, a gente vê.
Vê as dores que ainda pedem espaço.
As armaduras que fomos construindo para sobreviver.
Os lugares em que nos perdemos de nós mesmos.
Os novelos que fomos apertando sem perceber.
Ver pode doer.
Ainda assim, há algo profundamente libertador em poder olhar.
Porque aquilo que permanece inconsciente continua conduzindo nossos passos.
Quando podemos ver com clareza, começa a existir uma escolha.
Podemos chorar o que precisa ser chorado.
Soltar o que já cumpriu seu tempo.
Reconhecer aquilo que precisa ser cuidado.
E encontrar, no meio de tudo, aquilo que ainda tem força.
Aquilo que ainda tem vida.
Clareza e gentileza podem caminhar juntas.
Não precisamos nos violentar para nos transformar.
Há uma maneira mais amorosa de olhar para a própria humanidade:
com honestidade,
humildade
e coragem.
O caminho é menos sobre nos tornarmos alguém e mais sobre irmos retirando, pouco a pouco, aquilo que impede a vida de atravessar.
Lapidar o instrumento.
Esvaziar o excesso.
Criar espaço.
Para aquilo que é verdadeiro possa simplesmente se revelar.
E então a compreensão deixa de ser apenas uma ideia.
Ela ganha corpo.
Torna-se gesto.
Escolha.
Relação.
Presença.
Torna-se vida.
É isso que mais me toca em qualquer caminho profundo de consciência:
voltar para a vida e para o chão desse mundo, um pouco mais disponível para nele caminhar.
Sathya Ma

