

Persiste no caminho
aquele que desiste das bagagens.
Perde-se o peso,
ganha-se o frescor
de uma mente sem grades,
livre do próprio medo.
A firmeza no caminho
desnuda o caminhante
e arrebata seu coração
de amor pela Vida.
Desistir — que feito raro!
Desistir dos ideais,
da linha de chegada,
de mudar aquilo que é.
Quanta luta em vão.
Ficar.
Escutar.
Repousar naquilo que se vê.
Para assim, ver mais.
Ver a Vida
em sua bondosa Ordem,
desdobrando-se em ondas —
ora mansa,
ora cheia.
Senhora Vida,
selvagem e infinita.
Para cada tempo, seu remédio:
o silêncio,
a palavra,
a purificação,
a pausa —
e, no centro de tudo,
uma presença
sem rosto.
Descansada, me fortaleço.
Com força, não me esforço.
Desistindo, ganho.
Silenciando, escuto.
Sem resistência, participo.
Sem rosto, me revelo.
Sathya Ma

