

Toda vez que surge uma sensação difícil — tristeza, ansiedade, angústia, irritação — quase imediatamente algo em nós se move contra ela.
Queremos compreender. Resolver. Melhorar. Sair dali de alguma forma.
A mente começa a procurar caminhos, explicações e estratégias. O corpo se contrai. A atenção se fixa naquilo que incomoda. E, sem perceber, passamos a girar em torno da própria experiência que gostaríamos de deixar para trás.
Curiosamente, quanto mais lutamos contra um estado interno, mais ele parece ganhar força. Quanto mais tentamos nos livrar de uma sensação, mais ela ocupa espaço.
A resistência alimenta aquilo que resiste.
Porque, em algum lugar silencioso, existe a crença de que aquilo que está acontecendo pode nos ameaçar. A crença de que existe alguém que precisa se libertar de algo para finalmente encontrar paz.
Enquanto essa crença permanece, o sofrimento encontra sempre novas formas de se apresentar. Mudam os cenários, mudam os personagens, mudam as histórias. O mecanismo continua o mesmo.
O que fazer?
Parar.
Respirar.
Encontrar um sim.
Sim, ao fato de que isto está aqui.
Esta sensação está aqui.
Quando paramos de lutar por um instante, algo relaxa. Surge espaço.
A paz não nasce da contração. Ela brota da abertura.
E nessa abertura há uma qualidade de lucidez que parecia não estar disponível enquanto estávamos ocupados lutando.
Com mais lucidez, enxergamos com mais clareza e podemos responder ao que se apresenta com mais precisão e menos desgaste.
Vemos com maturidade aquilo que pede cuidado, aquilo que pede ação e aquilo que simplesmente pede tempo.
A vida continua acontecendo e já não estamos completamente enredados na tentativa de controlá-la.
E, pouco a pouco, essa abertura começa a revelar algo ainda mais profundo.
Percebemos que existe um espaço que permanece intacto enquanto todas as experiências vêm e vão. Um espaço que não precisa expulsar nada para permanecer inteiro.
Vamos nos assentando nesse reconhecimento.
Pensamentos aparecem.
Emoções aparecem.
Desejos aparecem.
Medos aparecem.
Tudo se move.
Tudo muda.
E algo permanece.
Essa visão não é uma nova ideia a ser adotada. Tampouco uma identidade mais refinada ou evoluída. Ela só pode ser uma evidência viva, íntima e silenciosa.
Como o céu que permanece aberto enquanto as nuvens atravessam.
Como o espaço de uma casa que continua intacto independentemente de quem entra ou sai pela porta.
A vida segue seu movimento espontâneo. O personagem continua fazendo o que lhe cabe fazer.
E segue caminhando no chão deste mundo.
Cada vez mais íntegro.
Caminhando suas palavras.
Embelezando a vida com aquilo que tem.
Com aquilo que é.
Sathya Ma

