

Tem um lugar de integridade que não é sobre ser correto.
É sobre ser inteiro.
A palavra revela isso com muita clareza.
Cada vez que digo algo que não cumpro, algo se fragmenta.
Parece pequeno — um depois eu te falo, um te chamo, um a gente marca — mas o corpo sabe.
o corpo sabe
A palavra não cumprida não desaparece.
Ela fica como um fio aberto,
uma energia que não encontrou destino,
um movimento que não se completou.
Aos poucos, sem perceber, vamos perdendo força no que dizemos.
Porque a própria vida já não confia mais na nossa palavra.
Nem sempre é sobre falar mais.
Muitas vezes, é falar menos.
Ter coragem de não prometer.
Honestidade para não dizer o que não é verdadeiro.
Sensibilidade para perceber quando o silêncio é mais íntegro do que a fala.
A palavra também precisa de limpeza.
Precisa de equilíbrio.
O excesso enfraquece.
A falta também.
Existe um lugar onde a palavra nasce limpa — viva e inteira.
Íntegra, como um fio direto entre o que penso, sinto, digo e faço.
Esse fio não sustenta imagem,
não é tecido para agradar,
nem se abala pelo medo de desagradar.
Esse alinhamento não acontece só no que é dito com a nossa voz.
Existe a palavra que acontece em silêncio —
a palavra dos nossos pensamentos.
Ela narra, interpreta, julga, projeta.
E é a partir dela que muitas vezes nascem as palavras que saem pela boca.
A palavra que tem força
é aquela que nasce inteira —
no pensar, no sentir e no agir.
Caminhar em beleza
é aprender a andar as próprias palavras.
Deixar que ganhem corpo.
Que se completem.
Falhar também é parte do caminho.
É no que não se cumpre
que surge a chance de ver, retornar
e concluir com honestidade.
Tecer o fio que ficou solto.
Integridade traz força
e vivifica as nossas palavras.
Colocar as palavras a andar
é honrar a oportunidade de estar vivo.
É sustentar a dignidade de ser humano.
E então —
deixar que a força da vida nos atravesse.
Sathya Ma

