

Existe, em nós, uma força que pensa, analisa e direciona. É ela que organiza, que busca entender, que orienta o caminhar.
Quando ainda não está madura, essa força se manifesta como tensão. Questiona em excesso, duvida do que já foi sentido, tenta conduzir a vida pelo controle.
Em vez de clarear, confunde. Em vez de sustentar, aperta.
Aos poucos, surge um afastamento sutil daquilo que já é sabido por dentro.
O amadurecimento não acontece pelo silenciamento — mas por escuta. Por refinamento.
Suavizamos a rigidez e nos abrimos para perceber o que está vivo agora. Então, aquilo que tem força pode se apresentar com serenidade, pois encontra caminhos abertos para se revelar.
A dúvida se afina em discernimento. A crítica se transforma em clareza. A direção ganha a força da sustentação.
Não há mais urgência em corrigir tudo, não há mais cautela constante a cada passo.
A vida deixa de ser um ensaio e passa a ser a própria dança.
Há espaço. Força viva, que revela e sustenta.
As margens que antes continham agora são os bons contornos para que as águas fluam.
Há firmeza, sem dureza. Há direção, sem contração.
Quando essa força amadurece, ela deixa de inter-ferir.
Vive assentada no coração daquele que a escuta e se abre para ser atravessado por sua flecha sempre certeira.
Força que é a própria Vida — e assim, sustenta o que é verdadeiro sem tensão.
Força que é clareza para não se perder e abertura para permanecer em movimento.
você sente, você sabe… e caminha.
Sathya Ma

