

Não é o outro que te perturba — são os pensamentos que você sustenta sobre ele.
Cabe aqui uma explicação.
O discernimento é a luz da Consciência refletida na mente; mente capaz de perceber quando uma relação cumpre seu propósito e, naturalmente, chega ao fim.
Este apontamento não é convite para permanecer em relações abusivas ou perturbadoras sob a ideia de que basta ressignificar os pensamentos sobre o outro. São ordens de realidade distintas.
Perceber os pensamentos aos quais você vem dando atenção é notar uma chave: tudo é, sempre, sobre significar a vida e o viver.
Você diz que o outro te perturba, te fricciona?
Comece investigando os pensamentos que vem nutrindo sobre esse “outro”.
Quais significados você dá aos comportamentos dele?
Isso é discernimento ou julgamento?
Discernir é ver com clareza. Você percebe o outro em sua expressão, reconhece que muitos de seus comportamentos são tentativas de proteção, e o coração se abre em compaixão — compaixão que ama por reconhecer que o “outro” é você, não como forma manifestada, mas como Consciência. Esse amor discerne de novo, e se expressa como ação certa: você faz o que precisa ser feito, ainda que seja se afastar.
Julgar é excluir, condenar, culpar, vitimizar-se. É se arrogar, sentir-se superior, ditar o que o outro deve fazer. É barganhar, manipular, jogar.
Investigar os próprios pensamentos sobre o outro, com humildade e honestidade, pode ser uma bênção — a bênção de ir, pouco a pouco, percebendo que os pensamentos eram fruto de significados, os significados eram fruto de dores cristalizadas, e essas dores só estão dizendo:
veja-me,
dê-me passagem.
O outro é sempre um mestre.
É você, Consciência.
Sathya Ma

