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A maturidade
chega sem avisar.
Vai derrubando os muros
e ampliando o olhar.

Ela se assenta naturalmente.
O corpo se firma no chão.
Enraizado —
mas sempre pronto a caminhar.

É como um sopro de face serena.
Inspira humildade.
Exala profundidade.
Flor que desabrocha sem se fazer notar.

Carrega em si o discernimento
de quem contempla sem se enganar.
Aprendeu com o tempo
a diferença entre agir e esperar.

É como aquela mulher sábia
que se senta na varanda a observar.
Sabe a hora de se recolher.
Sabe a hora de se expressar.
Não se define por papéis —
mas não se ausenta do chão do mundo.
Sabe que sua verdadeira identidade
é a face invisível a se revelar.

Habita um corpo firme,
como casa enfim reconciliada.
No peito, um coração selvagem
de morada limpa e habitada.

Sabe partir sem fechar o coração.
Sabe ficar sem se abandonar.
Não se funde para existir —
encontra-se para compartilhar.

Ela é o que é.
Descansada em si mesma.
Sempre onde deve estar.

Ah, fruta madura —
sonhada no escuro da semente.
Suportou o tempo e a fissura.
Confiou no invisível, paciente.
Soube esperar o ponto exato
para à Terra se entregar.
Sem medo do próprio ato
de cair para alimentar.

E assim o ciclo se completa.
O oferecimento se faz livre.
O coração repousa
e o corpo, pulsando, vive.

Ah…
Maturidade.
Tu pertences à Terra
e, ainda assim, não és posse de ninguém.
És raiz que sustenta.
És também asa que sabe voar.

Inteira.
Descalça.
Viva.​​​​​​​​​​​​​​​​

Sathya Ma