

Há um lugar onde o crescimento é necessário.
Aprendemos a amar e a perdoar. A escutar. Refinamos a palavra, o cuidado, a capacidade de sustentar uma relação, um trabalho, um compromisso. O corpo pede atenção e cuidado. A mente amadurece, os padrões se suavizam e, pouco a pouco, se dissolvem. Nossos gestos podem ganhar delicadeza, lucidez e beleza.
Tudo isso pertence ao mundo das formas.
As formas nascem no tempo.
E aquilo que nasce no tempo pode — e talvez deva — ser cultivado.
Mas, existe uma armadilha silenciosa na busca pelo autoconhecimento.
Em algum momento, essa busca pode se transformar em um projeto interminável de aprimoramento pessoal. E ele realmente não tem fim.
Sempre haverá mais uma experiência, mais uma compreensão, mais um retiro, mais uma camada a ser integrada. Vivemos como se a nossa natureza essencial ainda estivesse incompleta, aguardando algum acontecimento futuro para finalmente descansar.
Até que, se tivermos a bênção de escutar os ensinamentos últimos, algo muda de lugar.
Tocamos outro reino.
O espaço sem bordas.
A força da Vida.
A natureza primordial.
O centro.
A fonte.
Um entendimento se abre.
A essência não amadurece, não evolui, não se torna mais pura — ela é o chão a partir do qual toda transformação acontece.
É como o céu.
As nuvens mudam de forma. Algumas são leves, outras carregadas. Há tempestades e dias de completo azul.
O céu, porém, não melhora quando as nuvens se dissipam.
Ele nunca esteve comprometido por elas.
A personalidade amadurece.
O corpo se transforma e envelhece.
As emoções mudam.
Os pensamentos vêm e vão.
A forma se refina.
A essência permanece.
O verdadeiro sentido do autoconhecimento não é produzir uma versão melhor de si mesmo.
É remover, pouco a pouco, aquilo que encobre o reconhecimento daquilo que nunca deixou de estar aqui.
Porque aquilo que você é...
nunca esperou ser aperfeiçoado.
Apenas reconhecido.
Sathya Ma

