Amar sem interferir

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Há um tipo de amor
que quer ajustar, orientar, cuidar…
Um amor que quer ajudar,
mas que, às vezes, sem perceber,
tenta conduzir o caminho do outro.

E há um outro amor…
mais silencioso.
Que entende que cada um caminha
no ritmo que pode sustentar.

Que nem toda verdade pode ser entregue —
algumas só podem ser descobertas.
E que nem toda ajuda é amor…
às vezes é medo disfarçado de cuidado.

E então, pouco a pouco,
as mãos relaxam.
O outro deixa de ser um projeto,
deixa de ser algo a ser ajustado.
E passa a ser…

mistério.

Algo que não precisa ser conduzido,
apenas respeitado.

Amar alguém deixa de ser um movimento de 
intervir,
antecipar,
ou proteger o outro das pedras do caminho.

E também não se torna
distância
frieza
ou ausência

É um tipo de presença  
que não invade.
Que não se apressa.  
Que não tenta alinhar o outro
ao próprio tempo.

É um amor que simplesmente confia na Ordem da vida
Um amor que revela 
um coração sempre aberto.

Que possamos relaxar as mãos  
sem fechar o coração.
E permitir que a vida  
faça o que só ela sabe fazer —  
por dentro de cada um.


Sathya Ma